“Vou ser a primeira mulher brasileira a visitar 198 países sozinha”

Jovem, determinada, focada, batalhadora e carismática. Ainda não a conheço pessoalmente, mas pelo pouco que descobri de sua trajetória iniciada aos 8 anos até sua idade atual (25), contada por ela recentemente numa entrevista de mais de 1h à um canal no YouTube, já me tornei admirador dessa bela paulistana chamada, Nataly Gabrielly.

Revelou que quando tinha uns 8, 9 anos, já era uma aluna de destaque e a preferida dos professores em sala de aula. E isso causava muita inveja em alguns colegas e eles passaram a praticar bullying e ameaças.

Teve uma certa época que isso fez muito mal pra mim, porque era toda semana minha mãe tendo que ir à escola, porque alguém ameaçava me pegar na saída, ou me trombava no corredor e me dava tapa, me empurrava… e minha mãe tendo que ir me buscar mais cedo. Teve situações que falei, não quero mais ir pra escola. Lembro que com 12 anos, teve uma situação muito difícil em minha vida que me isolei em casa. E tentei o suicídio duas vezes“, disse ela, por sentir-se rejeitada por esses colegas à época.

Porém, com o apoio da família, ela encontrou forças para seguir em frente. Aos 10 anos, teve um insight e foi pesquisar na internet oportunidades que agregasse algum diferencial à sua vida. Como por exemplo, estudar outros idiomas. Daí, foi atrás de bolsas para intercâmbio, “que criança hoje, tem esse pensamento“? Indagou.

Filha de uma pedagoga e um marceneiro, ela diz ter sido fundamental a participação da família, especialmente as conversas com a mãe. “O diálogo é muito bom em casa. Você sentar com seu filho, ver o que está acontecendo… eu sempre pensei fora da caixa. Ver além da situação que eu estava vivendo no momento. Então pensei, eu vou ser alguém, fazer a diferença. Não deixei que aqueles problemas influenciassem em meus sonhos e objetivo“, contou ao Canal do Negão no YT.

 

O início da trajetória para o intercâmbio

 

(Philadelphia)

Mesmo com pouca idade, Natally colocou na mente a ideia de ir pra fora do Brasil. Começou participar de palestras, eventos, se inscrevia em cursos online e fazia cadastros para receber revistas de viagens. Mas ainda não poderia viajar por ser menor de idade.

Com esse sonho na cabeça e apenas 11 anos, a garota sorridente da zona leste da cidade começou dar os passos iniciais à uma trajetória empreendedora. Passou a fazer pequenos serviços para a família e vizinhos para ganhar algum dinheiro. Aos 16 anos, conseguiu o primeiro emprego registrado como estagiária, ganhando em média R$300,00 por 4h de trabalho.

Aos 17 anos, passou a trabalhar em outros serviços com salários maiores. Além disso, vendia os VRs, passou a fazer e comercializar trufas, beijinhos e brigadeiros e elaborou um bazar das próprias roupas, para melhorar a renda e juntar a grana para o intercâmbio de que tanto desejava. Ela precisava levantar 3 mil euros. E conseguiu.

Em 2011 começou a participar de feiras intercambiáveis, em busca de informações, principalmente, sobre em qual país conseguiria estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Austrália, Canadá, Irlanda e Nova Zelândia, eram os que proporcionavam essas condições.

(Irlanda –  Foto: Internet)

Entre as opções, escolheu a Irlanda, por oferecer também um custo de vida mais barato e outras condições favoráveis.

Já com 18 anos, conseguiu viajar e passou um ano no país europeu. “Mas pra chegar lá não foi fácil porque eu ganhava pouco (aqui no Brasil) e meus pais não tinham condições de me manter. Essa feira que conheci em 2011, no início de 2013 eles fizeram um concurso, onde dariam 27 bolsas para estudar na Irlanda. Seria uma bolsa por estado. A gente tinha que fazer um vídeo de 3 minutos contando um pouco de nossa vida e porque merecia ganhar aquele intercâmbio. Então eu fiz um vídeo, foi aí que começou minha era no Youtube. Eu fiz um vídeo bem simpleszinho. Foi o primeiro do canal que hoje eu nem tenho coragem de assistir porque tá bem… mas faz parte da história, né“…? (risos)”.

Apesar de achar o conteúdo que gravou um pouco simples, Nicolly decidiu colocar em cena, a sua versão política para pedir que as pessoas votassem em seu vídeo, pois ganharia o mais votado. “E a gente tinha que trazer pessoas para votarem em nosso vídeo. Elas tinham que entrar no site, assistir, clicar e comentar. Foi aberto para os 27 estados. Todos foram encaminhando seus vídeos e eu fiz a mesma coisa. Só que além de colocar meu vídeo e trazer a torcida só pra mim, eu fui no vídeo de cada pessoa (concorrente) dos outros estados desejava boa sorte, comentava. Fui sempre além, eu sempre gostei de ajudar“.

 

Confiante, ela já providenciou logo tirar seu passaporte, surpreendendo até sua mãe que indagou a falta de dinheiro. Mas Gabrielly acreditava que garantindo logo o documento, facilitaria para quando a oportunidade chegasse, “em abril a primeira pessoa escolhida foi da Paraíba e em maio, depois de 4h de decisão quem foi escolhida fui eu“, disse revelando o quanto ‘atormentava’ o pessoal no facebook pedindo voto, além de apelar para que os organizadores vissem seu material. “Vêm meu vídeo pelo amor de Deus, estou nas feiras, nos encontros… quando eles viram meu vídeo falaram – essa menina tá em todos os eventos. Ela tá correndo atrás, vamos traze-la. Quando eu soube da notícia, foi aquela festa, os vizinhos… meus pais ficaram super felizes

E ela conta que ao chegar na Europa, precisou montar um esquema de estudo à parte “eram 3h de estudo por dia na escola, de segunda à sexta, só que eu precisava fazer algo a mais porque só tinha um ano pra definir minha vida, estudar inglês e voltar com resultado. Não pudia me apoiar só nas 3h de estudo, então montei no primeiro mês 20h de estudo por dia e dormia só 4h“, explicou. Depois disso, começou a trabalhar como doméstica, em seguida conseguiu estágio num hotel e depos, no período da Copa do Mundo chegou fazer uns ‘bicos’ num barzinho e em outros lugares. E para ir treinando e aperfeiçoando mais o idioma, passou a abordar moradores locais na rua . Inicialmente abdicou-se do lazer para focar nos estudos.

Meu objetivo sempre foi mostrar para as pessoas que elas podem fazer tudo que elas querem. Que nada é tão distante. Nada é tão difícil, desde que você tenha foco e faça por onde, porque do céu não vai cair nada. A gente tem sonhos e o objetivos, então a gente tem que fazer a nossa parte. Se não tem oportunidade, cria essa oportunidade“.

 

O sonho de conhecer 198 países

 

(Berlin e Londres)      

Enquanto estava no intercâmbio, Nicoly Gabrielly deu início à sua expedição de visitar outros cantos do mundo. E nesse mesmo ano, conseguiu conhecer 6 países antes de voltar ao Brasil, entre eles, França, Irlanda do Norte e Inglaterra.

Até o momento, já visitou 19 países. Porém, sua meta é chegar a 198. Ela acredita que a experiência adquirida ao longo dos últimos seis anos que passou morando e viajando ao exterior, a credencia chegar à essa meta, “eu vou ser a primeira mulher brasileira a visitar 198 países sozinha. Na verdade já viajo há seis anos, poderia já ter visitado muitos países, mas fiquei muito tempo num lugar só, me preparando, ganhando experiência. Esse período eu acredito foi de preparação psicológica, de saber lidar com os problemas – já fui roubada em hotel, já perdi voou… então tudo isso, acredito foi um período de preparação para esse grande projeto“, destacou ela, afirmando ter pesquisado que mais de 150 pessoas no mundo já fizeram essa expedição. No seu caso, iniciaria essa maratona ainda no primeiro semestre deste ano, mas teve que adiar momentaneamente por conta do coronavírus.

Logo ela teve a ideia de criar o Nataly on Traveling (agora Viaje Sem Limites) como uma conta no You Tube e redes sociais para compartilhar suas experiências de viagens com os amigos. “Daí eu comecei a perceber que estava ajudando muitas pessoas. Muitos amigos meus que foram pra Irlanda, porque me assistiram, viram como era porque eu dava dicas. Hoje tem várias pessoas que fizeram intercâmbio, fizeram viagens e tiveram algumas experiência, depois que eu fui compartilhando a minha história“.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Portugal e Israel)

Foi a partir desse compartilhamento que a jovem visionária teve seu segundo nsight. “até então era meio que um diário pessoal. Meus amigos, minha rede tão vendo. Aí eu comecei a abrir, depois de várias situações, várias experiências, 15 países visitados, foi quando eu criei o Viaje Sem Limites, em fevereiro de 2018“.

Nataly diz que a ideia do @Viaje Sem Limites nasceu da ideia de ajudar as pessoas para que elas não limitem seus sonhos, “aí eu falei, agora vou profissionalizar. Agora eu quero ajudar outras pessoas a sonharem, realizarem e fazer acontecer. Eu sou nômade digital, então posso trabalhar de qualquer lugar porque tudo de que preciso é de um computador e internet. Eu não trabalho só com a rede social, tenho outros projetos, faço artigos para sites, empresas… tipo freelancer“.

 

Além disso, abriu recentemente sua agência de viagem online. Inicialmente atenderá o publico para três destinos, Israel, Egito e Jordânia, dando suporte que inclui desde o roteiro da viagem à hospedagem.

 

*Crédito das Fotos: @viajesemlimites

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