Tá na hora de a imprensa responder a altura, ao presidente Bolsonaro

Até quando a imprensa brasileira vai permanecer incólume às agressões do presidente da república, Jair Bolsonaro? Permitindo que seus profissionais continuem sendo humilhados, agredidos e achincalhados por ele, sem lhe dá uma resposta à altura de sua repugnante postura? Lógico, não estou pedindo uma resposta asquerosa, mas sim, com um efeito devastador de arrogância. Porque a imprensa, também tem seu poder.

Fosse eu, um dono ou diretor de algum desses veículos, me recusaria a designar meus profissionais para cobrir qualquer coletiva e ou participação desse senhor, em algum evento, a menos que ele se retratasse publicamente, se desculpando e garantindo não mais cometer tais grosserias e desrespeito. Coisa que, provavelmente, ele não fará, especialmente enquanto sentir-se bajulado por alguns dessas empresas de comunicação.

Ao invés da mobilização desses chamados veículos tradicionais, o que a gente continua acompanhando é, verdadeiros batalhões de repórteres com microfones em punho, seguindo o presidente por onde quer que ele vá. Será se essa mídia, unida, o ignorasse, especialmente nesse período pré-eleitoral, ele sobreviveria, recorrendo somente às redes sociais e ao que chamaram de “fake news do whatsapp”, disseminada na eleição passada?

Matéria publicada nesta terça-feira (27) pelo Portal G1, mostra que a organização Repórteres Sem Fronteiras, denuncia que somente em 2020, o presidente e seus filhos, fizeram 469 ataques à imprensa. No mês passado, Bolsonaro foi condenado a pagar uma indenização ínfima de R$ 20 mil para a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, por danos morais. Ele foi processado pela profissional, por ofensa de cunho sexual.

Nesta segunda-feira (26), foi a vez de outra jornalista, mulher, a repórter Driele Veiga, da TV Aratu (Salvador), afiliada do SBT, também ser ofendida pelo chefe maior da Nação. Ao ser indagado por ela, sobre sua aparição numa foto com um CPF cancelado, ele respondeu: “Você não tem o que perguntar, não? Deixa de ser idiota, “.

As constantes respostas atravessadas, irônicas e ofensivas que aconteciam à alguns jornalistas que se juntavam naquele “cercadinho” lá do Planalto, com direito a vaias de torcedores do capitão, eram algo assim, dignos de sentirmos ‘vergonha aleia’. – O repórter tem o direito de perguntar para uma autoridade pública, tudo o que achar pertinente. À ela, cabe responder, ou não. Porém, ofender, jamais. Tem que respeitar, para ser respeitada.

Em momentos como esses, ao notar um colega sendo ofendido por uma autoridade, por exemplo, eu gostaria de ver um certo corporativismo da classe. Seria louvável se todos, solidariamente, abandonassem uma coletiva em que tal fato ocorresse. Mas ao invés disso, permanecem lá, dando moral ao agressor. Esquecendo-se de que, qualquer um ali, poderá ser a próxima vítima.

Na minha opinião, as entidades que representam esses profissionais, se manifestam de forma muito branda. Emitindo apenas notas de repúdio, cada vez que tais absurdos acontecem.

Se eu fosse um associado, exigiria do sindicato, uma resposta à altura. Não em imbecilidade, mas em punibilidade. Intimaria a entidade para acionar sua excelência com um processo na justiça, ou provocar, por exemplo, uma espécie de motim da categoria, para que nenhum repórter saísse da redação para ir entrevistá-lo, numa coletiva ou acompanhá-lo em algum evento, por determinado período, até que o Planalto se manifestasse publicamente, com um pedidos sinceros de desculpas.

*Créditos das Imagens:

**Imagem do Topo: Alan Santos/PR

***Imagem Central: Reprodução/@drieleveiga

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