Como falar sobre racismo com a criançada? Samara Felippo dá dicas

Nesse momento em que muito tem se falado sobre racismo, eu tenho acompanhado de tudo. Muitos depoimentos e pontos de vistas coerentes e outros, um tantos mais radicais. Contextualizações sobre situações atuais e fatos históricos. Ativistas e não ativistas, emitem suas opiniões. Cada um ao seu modo.

É algo lastimável, num país onde mais da metade de sua população é negra e, em pleno século 21, ainda temos que ser distinguidos pela cor de nossa pele. É muito doido, estúpido e doentio… isso.

Historicamente, essa herança maldita vem da época do Brasil colonial. Mas, continuar tocando numa ferida dolorida como essa, seja com atitude de injúria racial ou ato racista, é uma questão de desrespeito, falta de educação e deselegância. Deletar ou seguir compartilhando isso, passa muito pela conscientização e formação das gerações, principalmente em seu ambiente familiar.

(Um recibo de compra e venda de escravo – 1851, Rio de Janeiro)

Tem se falando bastante em representatividade. Apesar da libertação de a escravidão submissa, ter acontecido há quase um século e meio, ainda hoje, poucos negros conseguem oportunidades como protagonistas no mercado de trabalho, muito por conta de um ‘sistema‘ comandado por pessoas seletoras, mas acho também, que um pouco se deve, à  falta de competitividade da negritude. Seja em empresas privadas ou em repartições públicas.

Recentemente, o próprio Ministério Público do Trabalho resolveu intervir junto à alguns segmentos, sugerindo mais participação do negro em suas atividades.

Eu sou daqueles que defendo uma conscientização mais politizada de nossa comunidade negreira. Mostrar nossa capacidade de exercermos funções de destaques e conquistarmos nossos espaços, ao invés de continuarmos lamentando o passado, na esperança de que o Estado ofereça suas condolências, como aparente reparação de uma ‘dívida histórica. Ao menos, hoje, temos o livre arbítrios. Diferente de nossos ancestrais. Logo, podemos lutar e escrevermos uma nova página na história desse país.

 

Criançada negra

 

Mas entre tudo que li, assisti e ouvi sobre racismo nos últimos tempos, chamou muito a minha atenção, o desabafo de uma mãe, em seu instagram. O post foi reproduzido no último dia 7 pelo portal msn.comSamara Felippo (foto destaque), que é atriz, tornou público as queixas de uma de suas filhas.

É claro que por ela ser uma figura pública, isso ganha uma repercussão maior. Mas, com certeza, várias outras mães anônimas, também devem sofrer muito com isso no dia a dia.

Samara foi casada com Leandrinho, jogador de basquete da principal liga americana NBA. Da relação, nasceram duas filhas Alice, hoje com 7 anos e Lara, com 4.

O que me atraiu na abordagem da atriz, foi especialmente, o fato de como esse assunto está mexendo com a cabeça de uma criança.

Ou seja, a criança é a base. Onde, na minha opinião, esse tema deve ser muito bem conversado. Dialogado com cuidado e inteligência, para, acima de tudo, mostrar para a turminha nessa faixa-etária, razões para não sentir vergonha da cor de sua pele, da feição do cabelo, etc. Sem dúvidas, isso ajudará na formação de sua personalidade e um crescimento com a auto estima elevada.

E é mais ou menos isso que comenta a atriz, após sua filha mais velha ter ‘sofrido uma crise de aceitação dos cabelos cacheados, além de questionar a falta de outras crianças negras em sua escola e nas propagandas em revistas e tvs’, por exemplo.

Segundo ela, para aprender lidar melhor com a questão e saber como conversar com suas pequenas, procurou ir a fundo atrás de informações sobre o tema.

 

Confira aí a íntegra das reflexões e dicas da Samara

 

Existem alguns principais e importantes fatores para que uma menina/menino crespo/cacheado ame seu cabelo.

No caso tenho duas meninas. Nos meninos costumam raspar. Deixe que eles decidam, ofereça escolhas para o seu filho. (Que merda ter que fazer esse texto mas infelizmente precisamos fazer isso por nossas crianças negras)

Sem querer ditar regras, cada um faz como e o que quer, mas eu aprendi um pouco no “tranco” e correndo MUITO atras e quero dividir, pois MUITAS mães vem me perguntar. Vamos lá.

1 – Jamais diga a sua criança que dá trabalho. Mesmo bebezinho. Eles entendem. E não deixe que ninguém faça isso.

2 – por mais difícil que ainda seja, ache referências que eles possam vir a admirar. Onde eles se reconheçam. Cantoras, atrizes, personagens de desenhos, filmes, músicas, aponte em propagandas, nas revistas, youtubers. Leia historias de personagens afros. Existem muitas.

3 – Compre brinquedos que representem eles. Desde bonecas pretas até um jogo que tenha crianças afro na capa.

4 – faça-a amar e cuidar do cabelo, divirtam-se.

5 – Elogie sempre. Sempre. SEMPRE!!!.

6 – aprenda você como cuidar. Dá pra conseguir cremes acessíveis e bons. Até mesmo uma receita caseira para uma boa hidratação. (Lá no canal tem dicas)

7 – Não seja exigente demais. Faça-a amar o cabelo ate mesmo naqueles dias que eles acordam bem bagunçados. Não precisamos ter cachos perfeitos o tempo todo. O bagunçado pra cima também é legal e estiloso.

8 – Aprendam juntos penteados. Nos dias que ninguém está afim de fazer nada, existem penteados rápidos e lindos que elas se sentem lindas. (Tb tem la no canal😊).

9 – Pra pais que não tem tempo, peça ajuda a alguém que vc confie e irá cuidar com esse zelo.

10 – Ensine a cultura afro. A história dos seus antepassados. Já que ainda é difícil de se encontrar isso em escolas.

11 – E por último, ensine-os a se defender. A questionar. E se impor. Entender que todos somos diferentes. Que temos diversos tons de pele, cada um com sua beleza. (Dê uma cartela de lápis tons de pele para a hora da pintura) ✊🏿✊🏾✊🏽✊🏼✊🏻 Com amor e força de vontade criamos crianças seguras de si, empoderadas e respeitando o próximo!

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