Mesários trabalham de graça… enquanto os candidatos recebem R$ 2.034.954.823,96. É justo?

É isso mesmo. Enquanto você é convocado(a) para ser mesário(a) nas próximas eleições (aliás, em todas elas), sem ganhar nenhum centavo, pelo dia trabalhado, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informa o valor repassado aos partidos para ser distribuído entre seus respectivos candidatos a prefeitos e vereadores nos 5.569 municípios do país, em outubro próximo. Dois bilhões, trina e quatro milhões, oitocentos e vinte e três mil e noventa e seis centavos.

Não custa lembrar, esse valor é apenas para as eleições municipais deste ano. Em 2022, quando serão escolhidos presidente da república, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, a bolada será bem maior. Esses recursos são repassados pelo FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha). Traduzindo, dinheiro nosso.

A pergunta que não quer calar é… por quê nós, mortais cidadãos, somos chamados à disponibilizar 1 dia ou 2 (em caso de 2º turno) do nosso tempo, para trabalharmos de graça, para um sistema bilionário e contribuirmos para eleger alguns políticos descomprometidos com nossas causa e, pior, corruptos?

Para não dizer que serviço prestado será totalmente gratuito, a Legislação Eleitoral, garante por exemplo, à quem for selecionado, um vale refeição (R$35,00), isenção do pagamento de taxa em concursos públicos, dias de folga do trabalho (quem estiver empregado). Ainda assim, acho pouco.

Particularmente, como cidadão, eu já dou a minha parcela de contribuição ao Brasil. Sou patriota e amo o meu país. Porém, parafraseando aqui o nosso imortal Ruy Barbosa, “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus…“, me recuso a ser um voluntário para prestar o serviço solicitado.

Esse é o meu pensamento. Mas se você pensa diferente e deseja contribuir, confira a chamada do presidente o Tribunal, ministro Luís Roberto Barroso.

Segundo dados do próprio TSE, com base nas eleições passadas, o Brasil já possui mais de um milhão e meio de mesários cadastrados. Eu até já tive momento em minha vida que desejei ser um deles. Mas essa vontade passou, justamente por desaprovar a maneira como as ‘coisas’ públicas são conduzidas por muitos destes senhores, após serem eleitos.

Por 2020 está sendo um ano atípico em virtude da pandemia do novo coronavírus e, talvez temendo acontecer uma debandada de alguns mesários por causa disso, o TSE investiu em campanhas publicitárias para a convidar interessados. O garoto propagando é o doutor Drauzio Varella (que até dias atrás, pedia para as pessoas se cuidarem e ficarem em casa… segundo consta, abriu mão do cachê), além da convocação, enfatiza as medidas de segurança que serão adotadas para proteger os que se prontificarem. Mesmo assim o Tribunal fala em convocar voluntários, também pelo whatsapp, e-mail e até ligações telefônicas.

Ao invés disso, será que se houvesse o pagamento de um valor justo pela dia trabalhado, muita gente, principalmente quem está passando dificuldade financeira, não se candidataria à vaga? Como pode-se observar, dinheiro não falta.

Por fim, volto a ressaltar. Já contribuo com o pagamento do salário dos eleitos. Essa verba de campanha, também sai do meu bolso. E tem mais… pago auxílio paletó, auxílio moradia e vários outras mordomias. E ainda assim, vem me pedir para trabalhar de graça…? Isso não é justo. É ruim, doutor. Vou não!

*Crédito da Imagem Topo: Internet

Deixe um COMENTÁRIO sobre o post que você leu e ou assistiu

%d blogueiros gostam disto: