Luiz Gama recebe título de doutor “honoris causa” da USP

Um dos mais importantes intelectuais e abolicionista brasileiro, o baiano Luiz Gama, (1830-1882) recebeu nesta terça-feira (29), o título de Doutor Honoris Causa póstumo, pela USP (Universidade de São Paulo).

A proposta, aprovada por unanimidade, foi apresentada pelo professor Dennis de Oliveira, do DJE (Departamento de Jornalismo e Editoração) da ECA (Escola de Comunicações e Artes) e do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (NEINB-USP), apoiada pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ECA.

“Este é um dia marcante para celebrarmos este grande brasileiro. A USP se sente muito honrada em poder conceder este título a Luiz Gama”, disse o reitor Vahan Agopyan, após a votação dos conselheiros.

As informações são do Jornal da USP. A honraria também foi destaque no portal Uol.

Gama é o 120º homenageado com o título concedido pela USP em toda a sua história, dentre eles, o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, em 2000. Mais recentemente, em 2020, o catedrático do Instituto de Educação e reitor honorário da Universidade de Lisboa, António Manuel Sampaio da Nóvoa, e o diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Jorge Almeida Guimarães, foram agraciados com o título“, destacou o portal.

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Luiz Gama

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Nascido em 21 de junho de 1830, em Salvador (Bahia), Luiz Gonzaga Pinto da Gama, era filho de um fidalgo português, (nome não revelou) e Luiza Mahín, africana livre da Costa Mina. Ela foi uma importante ativista envolvida em diversos levantes dos escravos na Bahia, no início do século XIX.

Documentos da época, atestam que, embora filho de mãe negra, Luiz Gama nasceu livre. Porém, aos dez anos de idade, foi vendido como escravo pelo próprio pai para saldar dívidas de jogo. E com isso, foi levado para São Paulo onde, aos 17 anos, aprendeu a ler e escrever. De posse das letras, conseguiu conquistar judicialmente a própria liberdade.

Faculdade de Direito (Largo do São Francisco – São Paulo) fim do século XIX 

Em 1850, tentou ingressar no curso de Direito da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. No entanto, por ser negro e pobre, não foi admitido formalmente como aluno. Mas, determinado, permaneceu nos corredores da faculdade, frequentando a biblioteca e assistindo inúmeras aulas como ouvinte.

Segundo os relatos, “Luiz Gama adquiriu conhecimentos jurídicos sólidos que Ihe possibilitaram atuar na defesa jurídica de escravos. Formou-se advogado provisionado, tornando-se o maior especialista jurídico na libertação de escravos, tendo libertado mais de 500 pessoas e realizado ações também na defesa de pessoas pobres, inclusive imigrantes europeus“.

Em 17 de janeiro de 2015, o Diário Oficial da União publicou e declarou, por meio da Lei nº 13.629, que Luiz Gama é o patrono da abolição da escravidão do Brasil. Também, na mesma data, o Diário Oficial da União publicou a Lei nº 13.628, que inscreveu seu nome no Livro dos Heróis da Pátria. Gama faleceu em 24 de agosto de 1882, aos 52 anos.

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Nas letras

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Também de acordo com as informações, ele era letrado e chegou a atuar como jornalista. “Participou dos movimentos contra a escravidão e é reconhecido como um dos principais líderes abolicionistas do Brasil“. Dono de uma oratória distinta e domínio das letras jurídicas, combateu duramente a escravidão, o racismo e a desigualdade, nos tribunais.

Sua atuação nesta área rendeu-lhe o reconhecimento em vida e postumamente com a concessão, em novembro de 2015, do título de advogado pela Ordem dos Advogados do Brasil, em homenagem inédita àquele que se imortalizou na luta por um país “sem reis e sem escravos” .

Especificamente na literatura, Luiz Gama foi considerado um dos expoentes do Romantismo. Em 1859, publicou Primeiras Trovas Burlescas de Getulino, reeditada e ampliada em 1861, livro em que ele introduz a subjetividade do autor negro na literatura brasileira.

No que se refere às lutas republicanas, Gama esteve ao lado de vários nomes ilustres, como Ruy Barbosa. Também foi um inovador no jornalismo, tendo fundado o primeiro jornal ilustrado da cidade de São Paulo, o Diabo Coxo, em 1864.

Além disso, participado ativamente de periódicos republicanos da época. Criou, em 1869, com Ruy Barbosa, o jornal Radical Paulistano, do Partido Liberal Radical Paulista. Luiz Gama foi personagem central da história da imprensa em São Paulo e no Brasil.

*Créditos das Imagens:

**Topo: Fotomontagem: Vinicius Vieira/Jornal da USP

***Central: Wikimedia Commons

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